A Praça-Forte de Almeida é uma terra única, um autêntico símbolo nacional. Parta à descoberta desta Aldeia Histórica raiana de genuína alma beirã.

 

Ao chegar a Almeida a silhueta da sua majestosa Praça-Forte faz-se notar de forma avassaladora. Este baluarte em forma de estrela de doze pontas é um dos mais espectaculares exemplares de um sistema defensivo abaluartado em toda a Europa. Antes de se embrenhar nas notáveis ruas desta aldeia, atente nas muralhas exteriores da fortaleza e pense na hercúlea empreitada que foi erguer tamanha construção.

A localização privilegiada de Almeida foi sendo cobiçada por diferentes povos ao longo da História. Primeiro terá sido construído no monte um castro lusitano, depois o local foi ocupado por romanos e bárbaros, e depois ainda por árabes, que construíram ali um castelo. Os árabes chamaram ao lugar Al-Mêda (a mesa), dada o seu posicionamento num planalto.

Em 1297, o castelo passou para posse portuguesa e recebeu foral de D. Dinis. A partir daí o núcleo medieval cresceu exponencialmente e, após a Restauração (em 1640), a Praça-Forte foi ajustada para um tipo de baluarte que se pudesse adaptar às novas armas de fogo e que lhe permitisse proteger a fronteira contra possíveis agressores. Em vão. Durante as invasões francesas uma explosão destruiu o castelo, a velha igreja matriz e grande parte da vila. Restaram as muralhas, baluartes, portas, revelins, paióis e outras estruturas para recordar a robustez do forte e a determinação das gentes de Almeida.

Inicie a sua visita a Almeida entrando pela porta a sul, as Portas de São Francisco da Cruz, junto ao Largo 25 de Abril. Na verdade são portas duplas, um sistema típico deste tipo de fortes para aumentar a protecção em caso de ataque. A caminho da porta interior passará pelo fosso (chamado revelim) que rodeia a fortaleza. A porta interior, ou porta Magistral, é do século XVII e é nela que se situa o Posto de Turismo. Não se faça rogado e solicite um mapa para o ajudar a orientar dentro da Praça-Forte.

Encontra-se agora no núcleo medieval de Almeida. Do seu lado esquerdo está um enorme edifício barroco. É o Quartel das Esquadras, usado em tempos para alojar as centenas de  militares estacionadas em Almeida. À sua direita está o aprazível Jardim Público de Almeida. E diante si, por detrás do quartel, está a lindíssima Igreja da Misericórdia, um templo do século XVII. Se tiver oportunidade espreite o seu interior e aprecie a capela-mor com retábulos de talha dourada do século XIX.

Atravesse o centro histórico. Irá cruzar-se com várias casas brasonadas, de onde se destacam os escudos de armas das famílias decorados detalhadamente com ornamentação barroca. Passará depois pelas ruínas do Castelo de Almeida, que, antes de ser destruído na explosão de 1810, era usado como armazém de munições e pólvora. Nas suas traseiras estão outras Portas Duplas, as de Santo António, onde está instalado o CEAMA – Centro de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida. A sua principal missão é apresentar a Praça-Forte de forma didáctica. Dedique-lhe algum tempo e descubra como viviam os militares que guardavam a fortaleza.

Adjacente ao castelo está o Picadeiro D’el Rey, um edifício originalmente concebido como Trem de Artilharia e Arsenal, mas que conheceu vários usos, sendo hoje um picadeiro para prática de actividades equestres Continuando a circundar a muralha chegará ao seu extremo norte, à Praça Alta. Como o seu nome indica, trata-se do ponto mais alto da Praça-Forte. Daqui obterá a melhor vista panorâmica da fortaleza e mais além – ao pôr-do-sol o cenário é digno de um quadro!

Termine este passeio por Almeida naquele que é provavelmente o mais interessante local dentro da sua fortaleza: o Museu Histórico-Militar. Este vasto complexo com vinte compartimentos – as chamadas casamatas – era usado como refúgio pela população quando a Praça-forte era atacada, estando servida por inúmeros túneis, poços e minas de água. Foi também uma prisão durante a Guerra Civil (século XIX) e um armazém de víveres. Desde 2009, acolhe o Museu Histórico-Militar de Almeida, um espaço interactivo que conta as histórias de todos os confrontos militares que tiveram lugar em Almeida e que contém um acervo de armaria com várias réplicas e peças originais.

Após esta incursão pela História de Almeida e já com alguns quilómetros nas pernas, recupere energias à mesa no restaurante O Caçador, na aldeia vizinha de Malpartida, e renda-se à gastronomia regional. Se ficar por Almeida, as casas de campo O Revelim e a Casa do Ti Matias são as melhores opções para pernoitar.

Pode encontrar mais informações sobre Almeida no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 05 de Dezembro de 2018