É impossível ficar indiferente à atmosfera histórica de Castelo Rodrigo. Erigida no cimo de um monte beirão, a poucos quilómetros da fronteira com Espanha, e envolvida por uma imponente muralha, Castelo Rodrigo preserva uma aura de outros tempos, que nos desperta os sentidos, que nos conquista.

Durante mais de 600 anos (até ao século XIX), esta Aldeia Histórica foi vila e sede de concelho. Nenhuma outra povoação raiana exerceu por tão longo período um lugar tão relevante nas relações luso-castelhanas e na defesa do território português. Conquistada aos árabes no século XI pelo Reino de Leão, Castelo Rodrigo foi integrada em território português em 1297, altura em que D. Dinis a mandou repovoar e reconstruir o seu castelo. Vestígios desse castelo e do recinto amuralhado sobreviveram até hoje.

Entre por uma das três portas da fortaleza – a Porta do Sol (de onde se tem uma magnífica vista), a Porta do Largo de São João (a entrada a norte, menos usada) e a Porta da Traição – e explore o interior do núcleo medieval de Castelo Rodrigo. A aldeia é bastante pequena, por isso não terá dificuldade em achar as ruínas das antigas torres do castelo: a Torre Albarrã (a mais setentrional torre deste tipo conhecida em Portugal; um modelo introduzido na Península Ibérica pelos muçulmanos), a Torre de Menagem (só resta a base original, mas a sua grandiosidade era um símbolo do poder da vila) e a Torre do Relógio (uma torre sineira adicionada à muralha original).

Mas a estrutura que mais lhe vai chamar a atenção no interior do recinto medieval de Castelo Rodrigo será o Palácio Cristóvão de Moura, ou o que sobra dele. Mandado construir por Cristóvão de Moura, que chegou a ser Marquês de Castelo Rodrigo durante o domínio filipino, foi incendiado pela população da vila após a Restauração da Independência, em 1640, já que representava o domínio e a opressão espanhola. As ruínas foram recentemente intervencionadas e hoje o recinto acolhe frequentemente eventos de índole cultural.

Transponha a Porta Monumental do Palácio, do século XVI, e contemple a estrutura remanescente das paredes do palácio. Deixe a sua mente divagar e imagine a opulência e o requinte desta mansão quando ainda era uma casa de nobres fidalgos. Aproveite e desfrute das paisagens que se avistam do seu topo – são tão vastas como as histórias que a aldeia guarda, dignas de serem desvendadas sem pressa.

Depois, à saída do palácio, conheça a Igreja Matriz, fundada no século XIII pela Confraria dos Frades de Nossa Senhora de Rocamador, uma congregação que se dedicava à assistência aos peregrinos para Compostela. No seu interior, atente às belas pinturas do tecto de madeira e ao altar-mor com azulejos hispano-árabes. Junto à igreja está um faustoso pelourinho manuelino, testemunho da consolidação do poder de Castelo Rodrigo aquando a atribuição do seu foral, em 1508.

Na rua paralela, a jusante, encontrará uma das jóias da aldeia: a cisterna medieval. Acredita-se que poderá ter sido uma antiga sinagoga, alegadamente destruída na altura da expulsão dos judeus (ordenada pelo rei D. Manuel I), tendo depois sido convertida num reservatório de água. Repare nas suas duas entradas, uma de estilo gótico e outra de estilo árabe.

Guarde algum tempo ao final do dia para cirandar sem rumo pelas ruas da aldeia, procurando por pormenores que atestam a sua herança histórica, como as janelas manuelinas dos edifícios quinhentistas, o portal com uma inscrição hebraica (do ano 1508) na casa número 32 da Rua da Cadeira, as várias construções de influência árabe, e, na muralha mais a norte, um “assento” escavado na rocha, que a população conhece por “Cadeira do Rei“.

No caso de a fome apertar, opte por um restaurante típico, como a Taverna da Matilde, e, se tomar a decisão (acertada) de planear maravilhar-se com as vistas de Castelo Rodrigo à luz do nascer do sol no dia seguinte, tem três casas de campo para se alojar: a Casa da Cisterna, a Casa da Amendoeira e a Quinta de Pêro Martins.

Pode encontrar mais informações sobre Castelo Rodrigo no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 05 de Dezembro de 2018