Uma verdadeira preciosidade histórica no profundo interior português – é desta forma que podemos classificar a aldeia de Idanha-a-Velha.

Ao seu redor tem alguns dos mais fascinantes vizinhos que poderia desejar: a sul o Parque Natural do Tejo Internacional, a norte a aldeia de Monsanto e a Reserva Natural da Malcata, a oeste as montanhas da Serra da Estrela e do Pinhal Interior, e a este as planícies e planaltos da Extremadura. Abraçada pelo rio Pônsul, Idanha-a-Velha distingue-se pela sua monumentalidade, à primeira vista reservada, depois evidente quando penetramos na sua grandiosa muralha com sete torres defensivas.

Esta Aldeia Histórica ergue-se num espaço onde outrora existiu uma cidade romana, de que ainda restam alguns vestígios. Viveu tempos de grande desenvolvimento durante as ocupações visigótica (altura em que era conhecida como Egitânia) e, posteriormente, árabe. Fez parte integrante do Condado Portucalense aquando da fundação de Portugal e, mais tarde, D. Afonso Henriques entregou-a aos Templários. D. Sancho II deu-lhe foral em 1229 e, em 1821, foi tornada sede de um pequeno concelho, extinto poucos anos depois, em 1836, altura em que se iniciou um período de séculos de desertificação. Apesar disso, Idanha-a-Velha, foi recentemente renovada, atraindo moradores e visitantes.

Inicie o périplo por esta aldeia de passado glorioso e futuro promissor pela Porta Norte, onde poderá estacionar a sua viatura facilmente. Pensa-se que a via romana de Braga a Mérida passaria por este ponto, a mais importante entrada de um recinto amuralhado com um perímetro de cerca de 750 metros. Na porta poderá subir à muralha e percorrer uma secção de algumas dezenas de metros, desfrutando dos miradouros que foram construídos para o efeito.

No seu final encontrará uma capela, a Capela de São Dâmaso, construída em 1748, de onde avistará a fotogénica Ponte de Origem Romana. A chamada Ponte Velha é uma das construções que restaram da época romana, apesar de ter sofrido algumas reformas medievais e modernas. Contemple a paisagem bucólica deste pedaço de paraíso e regresse à capela.

Suba o Largo da Igreja e irá dar à Igreja Matriz. De estilo renascentista, na sua fachada merece destaque a porta com arco de volta perfeita e molduras decoradas com elementos geométricos e vegetalistas. No mesmo largo está o Pelourinho da aldeia, também de estilo manuelino. Presume-se que seja de 1510, ano do foral outorgado por D. Manuel I.

Desça a Rua do Castelo, um beco sem saída, onde existem outros dois motivos de interesse. O primeiro, do lado esquerdo da rua, é o Forno Comunitário, ainda hoje usado para cozer pão a lenha; o segundo, no final do arruamento, é a Torre dos Templários, o vestígio visível do que restou do antigo castelo dos Templários, construído no século XII sobre o pódio do templo principal da praça pública da cidade romana, o Fórum.

Volte a subir a Rua do Castelo e vire à esquerda no Largo da Igreja, pela Rua da Sé, que o levará precisamente à Sé Catedral de Idanha-a-Velha. Este templo foi construído num local de enorme simbolismo sagrado. Desde, pelo menos, o século IV, existe aqui um edifício dedicado ao culto. A matriz actual terá sido erguida pela comunidade local moçárabe no final do século IX, mas no século XIII a igreja encontrava-se ao abandono. Os Templários terão recuperado parte das ruínas para fazerem aqui a sua igreja, dedicada a Santa Maria, e o templo foi nos séculos seguintes sendo alvo de sucessivas renovações. Hoje é um dos ex-libris da aldeia, juntamente com outros dois espaços na mesma praça: o Lagar das Varas e o Arquivo Epigráfico.

O Lagar das Varas é um espaço museológico onde poderá saber mais sobre o azeite, com três salas distintas relativas ao processo da sua produção: a sala das tulhas, a sala das prensas de varas e a sala da bagaceira. O Arquivo Epigráfico de Idanha-a-Velha conta com uma das maiores e mais representativas colecções epigráficas romanas do país, exibindo mais de 200 peças recolhidas em diversas fases da exploração arqueológica da aldeia. Dedique algum tempo a estes dois núcleos museológicos e compreenda melhor a história desta aldeia secular.

Novamente no exterior, transponha a Porta Sul da muralha e conclua este itinerário percorrendo uma rústica calçada que o levará ao rio Pônsul. Lá encontrará as conhecidas Poldras Romanas, uma série de 43 pedras que atravessam o rio e que reaproveitam antigos silhares romanos. Termine este dia em grande revivendo o ancestral desafio infantil de saltar as poldras que ligam a aldeia aos campos agrícolas e, novamente na margem do lado da povoação, prometa a si mesmo regressar a esta Aldeia Histórica inigualável.

Pode ainda acabar o dia dedicando-se a degustar o melhor da comida tradicional beirã no restaurante Helana, em Idanha-a-Nova, e se decidir dormir na região, opte por ficar num turismo rural do concelho de Idanha-a-Nova, como a Casa do Xarês e o Monte do Vale Mosteiro, na aldeia de Rosmaninhal, ou na Quinta dos Trevos, na localidade do Ladoeiro.

Pode encontrar mais informações sobre Idanha-a-Velha no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 07 de Dezembro de 2018