Linhares da Beira é o epíteto da Aldeia Histórica como a imaginou: remota, antiga e bela. Rodeada de formosos montes e bosques de castanheiros e árvores centenárias, a aldeia tem um património riquíssimo e um núcleo medieval fascinante, encimado por um nobre e imponente castelo.

Caminhar pelas ruas e travessas de pedra desta autêntica aldeia-museu é uma experiência ímpar. Ao fazê-lo irá sentir o pulsar do tempo e testemunhará a incrível destreza do seu povo, que aqui conseguiu adaptar-se e tirar partido da relação ancestral com a montanha.

Apesar de ter sido habitada por povos pré-romanos e existirem registos escritos da passagem de romanos, visigodos e muçulmanos, a origem da povoação é do século XII, altura em que Linhares da Beira recebeu o seu primeiro foral, atribuído por D. Afonso Henriques. Mas só mais tarde, no reinado de D. Dinis, foi erigido o seu majestoso castelo, integrando o sistema defensivo que guardava a Bacia do Mondego, na retaguarda das fortificações da raia beirã.

A nossa visita a esta Aldeia Histórica começa precisamente no seu castelo. Com dois recintos amuralhados e duas torres (a de Menagem e a do Relógio), este monumento nacional é a “jóia da coroa” de Linhares da Beira. Do seu topo conseguirá observar não só toda a aldeia, como a serra sobranceira e a imensa planície do vale do Mondego. Que bela forma de iniciar este percurso!

Diante do castelo verá a Igreja Matriz, um templo que remontará, pelo menos, ao século XII. Dessa altura permanecem alguns vestígios, como o portal e o arco no lado norte da igreja. Em 1751, a igreja foi alvo de uma intensa reformulação, que lhe deu a actual decoração barroca. Não siga caminho sem antes espreitar as traseiras da igreja. Lá encontrará a Fonte de São Caetano, restaurada em 1829, ostentando as armas reais com uma coroa.

Se, porventura, for hora de almoço, está no sítio certo. O restaurante Cova da Loba fica mesmo em frente à Igreja Matriz. Antes de continuar a explorar a aldeia deixe-se perder pelos sabores tradicionais neste espaço típico e verá que não se arrependerá.

Desça a Rua da Igreja e perca-se deliberadamente nas ruelas e becos transversais. Está no coração medieval de Linhares da Beira, rodeado por um casario com construções muito antigas, algumas até do século XII. Destacam-se as casas nobres com janelas e portas decoradas ao gosto manuelino, quase sempre moradias de proprietários agrícolas mais abastados ou da burguesia local ligada ao comércio. A mais bela das janelas manuelinas da aldeia é provavelmente a da Casa do Judeu (o nome deriva da suspeição de que ali se localizava a antiga judiaria).

No final da Rua da Igreja avistará um pequeno largo com um pelourinho. Pare por uns momentos neste local e olhe à sua volta. Verá quatro monumentos dignos de referência. O primeiro é o Pelourinho em si. De estilo manuelino, foi Construído após a concessão do foral de Linhares da Beira, em 1510, e servia para lembrar o direito do concelho a uma justiça própria, que, punindo os infractores se necessário, tenderia a manter a ordem e a paz internas.

Ao lado do pelourinho existe uma construção em granito com as armas do município. É o Fórum de Linhares da Beira, uma espécie de plataforma a que se acede por três graus e que contém uma mesa rodeada de bancos corridos. Este monumento singular era o local onde se reunia a assembleia da aldeia, para se tomarem as decisões de carácter administrativo, legislativo e judicial. Chegou a estar envolvido por uma armação em madeira, coberta com telha, para melhor proteger os homens que aí deliberavam.

No mesmo largo, e estando de costas para o pelourinho, estão duas importantes casas de Linhares: à esquerda a Antiga Casa da Câmara, à direita a Antiga Hospedaria. A primeira, de onde se destacam as ornamentadas armas de D. Maria, para além de ser a antiga Casa da Câmara, foi também usada como cadeia, escola e residência de professores. Hoje funciona como a sede da Junta de Freguesia. A segunda servia de apoio a pobres, peregrinos, doentes e a todos os que necessitassem de abrigo. Procure pelas suas duas gárgulas, que a tradição local diz representarem o diabo e uma cabra.

Conclua esta jornada nesta que é uma das mais pitorescas Aldeias Históricas virando à direita no final da Rua da Igreja. Após poucas dezenas de metros descobrirá a Igreja da Misericórdia. Este templo já era mencionado em documentos de 1320 e desse tempo subsiste, como marca mais assinalável, o portal lateral com um tímpano decorado geometricamente. Apesar das alterações de que foi sendo alvo, em especial no início do século XVII, tem outros detalhes assinaláveis, como a justaposição de diversas estruturas, o corpo do campanário e as pinturas no seu interior.

Do lado oposto à igreja verá ainda um solar recuperado do século XVII: o Solar Corte Real. Actualmente acolhe o Inatel de Linhares da Beira, uma unidade hoteleira de quatro estrelas onde se poderá alojar. Outras opções são a Casa Pissara (Casa de Campo) e a Casa Grande de Juncais (Turismo de Habitação), a primeira no centro de Linhares, a segunda no concelho vizinho de Fornos de Algodres.

Pode encontrar mais informações sobre Linhares da Beira no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 10 de Dezembro de 2018