Levantada num cabeço de 758 metros de altitude, no coração da Beira Baixa, a Aldeia Histórica de Monsanto faz parte do imaginário português, sendo um dos mais reconhecidos ex-libris nacionais, um ícone turístico indispensável em qualquer roteiro na região.

O seu casario, espraiado nas encostas do monte, é um autêntico postal. As casas confundem-se com os enormes pedregulhos de granito, aproveitados como paredes e até como telhados, gerando curiosas utilizações de grutas e penedos e deslumbrando os visitantes. Qualquer que seja a estação do ano ou a hora do dia (a não perder o lusco-fusco, quando são ligados os tradicionais candeeiros de rua), Monsanto tem um encanto singular. Descubra-o seguindo este itinerário pelas suas históricas ruas de pedra.

Monsanto regista presença humana desde o paleolítico e foi habitada pelos sucessivos povos que passaram pelas Beiras – lusitanos, romanos, visigodos e árabes – mas o seu Castelo nasceu pelas mãos de D. Gualdim Pais, que o mandou erguer em nome da Ordem dos Templários depois da conquista da povoação aos mouros. Durante vários séculos o povoado foi palco de inúmeras batalhas e acidentes. O maior deles, uma explosão do paiol de munições, já no século XIX, destruiu grande parte do castelo.

O castelo é precisamente a nossa meta neste percurso, mas primeiro dedique algum tempo a explorar a aldeia. À entrada da povoação, na primeira bifurcação, siga pela rua mais à esquerda para começar a sua visita. Irá passar pela Porta do Espírito Santo (ou de São Sebastião), com o seu arco de volta perfeita e uma guarita na parte superior. A rua que agora sobe é a Rua de Fernando Namora, nome dado em homenagem ao escritor que aqui viveu e escreveu os últimos livros. Poderá ver a sua antiga casa no primeiro cruzamento com que se deparar, do lado direito, um edifício datado de 1931, contendo uma placa comemorativa da obra deste ilustre habitante.

A Igreja Matriz de Monsanto, ou Igreja de São Salvador, encontra-se no final da Rua de Fernando Namora. Nela destacam-se o portal com a inscrição “San Salvador”, a rosácea e, no interior, os retábulos em talha policromada e as imagens em granito. Desça uns metros até ao Miradouro da Praça dos Canhões. Dali, rodeado pelos canhões que outrora defenderam o reino, avistará não só as planícies que circundam Monsanto como uma perspectiva de quase toda a aldeia, de onde sobressai a Torre do Relógio. É essa a sua próxima paragem.

Também chamada de Torre de Lucano, este ponto nevrálgico de Monsanto tem um enorme simbolismo, já que, no seu topo, encontra-se a réplica do Galo de Prata, o troféu referente ao título de “Aldeia mais Portuguesa de Portugal”, obtido no concurso do Serviço Nacional de Informação, em 1938. Junto à torre verá uma igreja renascentista. Trata-se da Igreja da Misericórdia, datada do século XVI, o templo matriz da vila até à edificação da Igreja de São Salvador. De frente para a fachada da igreja conseguirá uma fotografia que nem parece deste tempo. O enquadramento é perfeito: a igreja no primeiro plano, as típicas casas de granito por trás e, ao fundo, a Torre do Relógio. Faça o “clique” do dia e prepare-se, chegou o momento de subir ao castelo, um percurso algo exigente mas, asseguramos-lhe, recompensador. Se precisar de energia extra, pode almoçar no centro histórico, na Adega Típica O Cruzeiro.

Encontrar o caminho para o castelo não será difícil – há placas por toda a aldeia. Na Rua do Castelo irá encontrar a Loja Mais Portuguesa, onde poderá comprar artesanato local, incluindo os dois objectos mais típicos da aldeia: as marafonas (pequenas bonecas de trapos) e o adufe (instrumento musical com fitas coloridas e sementes secas no seu interior). Depois irá passar por uma das mais invulgares atracções de Monsanto: A Gruta. Entre dois enormes penedos, este local, em que pode entrar gratuitamente, foi em tempos usado como abrigo de pastores.

Ao subir a Rua do Castelo irá deparar-se com inúmeros miradouros. Um dos mais conhecidos é o do Penedo do Pé Calvo, de onde avistará toda a aldeia. É o sítio ideal para descansar por uns momentos e apreciar a paisagem. O caminho será depois mais a pique. Antes de entrar no recinto amuralhado, vire à esquerda, para fazer mais uma paragem e conhecer dois monumentos: a Capela de São Miguel, templo do século XII de cariz românico, de que só restam as paredes e um altar em pedra no seu interior; e a Necrópole de São Miguel, um conjunto de sepulturas (sem tampa) esculpidas nas rochas com o formato do corpo ao qual eram destinadas.

Percorra os últimos metros até ao topo do “monte santo” e atravesse a muralha do antigo Castelo Templário. O ponto final deste itinerário tem vários motivos de interesse, como as muralhas (reforçadas por diversas torres quadrangulares), a velha cisterna, as ruínas da Torre de Menagem e a Capela de Nossa Senhora do Castelo (do século XVIII), mas a “cereja no topo do bolo” é a magnífica vista panorâmica que conseguirá obter do marco geodésico – um miradouro como poucos em Portugal.

No final do passeio, se escolher ficar em Monsanto, opte por um alojamento local no núcleo medieval da aldeia, como A Casa Mais Portuguesa ou a Casa Pires Mateus. Se preferir uma solução mais rural, alugue uma casa de campo no alojamento Moinho do Maneio, a poucos quilómetros da vila vizinha de Penamacor.

Pode encontrar mais informações sobre a aldeia de Monsanto no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 12 de Dezembro de 2018