Provavelmente, a caminho de Espanha pela A25, ao chegar a Vilar Formoso, já passou por uma placa castanha com a indicação de Castelo Mendo, mas assumiu que aquela Aldeia Histórica ficaria muito longe, no cimo de um monte ou nas profundezas de um vale. Não podia estar mais enganado. Castelo Mendo está a apenas sete minutos da auto-estrada e vale bem a pena conhecê-la.

No cimo do cabeço rochoso, muito perto do vale do rio Côa, a história de Castelo Mendo, como o nome sugere, esteve sempre intrinsecamente ligada ao seu castelo e à muralha que abraça a povoação. A sua estrutura fortificada é tipicamente medieval e, no caso de Castelo Mendo, foi criada com dois propósitos: promover o repovoamento dos territórios muçulmanos tomados na Reconquista Cristã (nos séculos XII e XIII) e sustentar as disputas territoriais fronteiriças com os reinos de Leão e Castela. A sua importância militar durou alguns séculos, mas perdeu relevância durante o século XVII, período que viu surgir fortificações mais modernas na região.

Entrar neste castelo é um testemunho do esplendor do passado, mas também do papel fundamental da conservação do património para o futuro de uma Aldeia Histórica que renasceu fortalecida. Prova disso é a renovação do seu núcleo intramuros, a começar pela principal entrada da aldeia: a Porta da Vila. É por ela que deverá iniciar esta incursão por Castelo Mendo. Ladeada por dois grandes torreões, a Porta da Vila é conhecida por ser “guardada” por duas esculturas de granito, representando um casal de berrões (ou verrascos), ou seja, porcos (ou javalis), possivelmente ligados ao culto da fertilidade.

Assim que começar a caminhar pela Rua Direita, irá ter, do lado esquerdo, a Igreja de São Vicente, ou Igreja da Misericórdia. É do século XIII e estilo românico, apesar de ter sofrido renovações posteriores. Ao longo da Rua Direita atente nas casas de aspecto medieval. Muitas delas são manuelinas, com portas e janelas elegantemente trabalhadas. Depois, notará outro templo, também no lado esquerdo da rua – a Igreja Matriz de Castelo Mendo, ou Igreja de São Pedro. A sua existência está documentada a partir de 1320 e ainda hoje é o principal local de culto da aldeia.

Está agora na Praça do Pelourinho, onde achará dois monumentos que atestam a importância da localidade na Idade Média: o Pelourinho de Castelo Mendo, um dos mais altos da Beira Interior (com sete metros) e em que sobressai o capitel em forma de gaiola; e a Casa com Varanda Alpendrada, construída possivelmente no século XVI, em que se destaca a bonita varanda alpendrada.

Muito perto da praça encontrará ainda um edifício histórico, que já foi a Casa da Câmara, a cadeia e o tribunal de Castelo Mendo, e que acolhe agora o Posto de Turismo e um Núcleo Museológico. É do século XVI e de estilo maneirista, mas a verdadeira atracção desta casa está na gárgula em pedra numa das paredes exteriores. Esta imagem faz dupla com outra gárgula na casa em frente. As duas invocam a lenda popular da Menda e do Mendo. Ninguém sabe ao certo os detalhes da lenda, mas diz-se que está ligada a uma grande paixão entre dois amantes destinados a contemplarem-se à distância para sempre.

Neste ponto irá reparar que se aproxima da antiga cidadela, o núcleo mais antigo do castelo. Repare no chão. Os enormes blocos de pedra que compõem o pavimento são sobreviventes da antiga Calçada Medieval, aproveitando por vezes o afloramento granítico natural. Procure por uma rocha com treze cruzes inscritas. Fica mais ou menos a meio caminho para as Ruínas da Igreja de Santa Maria do Castelo. Este templo românico é o mais antigo da aldeia. Foi construído, provavelmente, no ano de 1229, isto se se considerar a data do foral concedido por D. Sancho II. Actualmente está em ruínas e pode visitar-se livremente, até mesmo o seu interior desprovido de telhado.

Da igreja conseguirá avistar uma porta na muralha. É a Porta do Castelinho, a entrada mais a sul da cidadela e a última paragem neste passeio por Castelo Mendo. Transponha-a e, uns metros adiante, estará um esplêndido miradouro. Se tiver essa sorte, contemple dali um maravilhoso pôr-do-sol, algo que ficará guardado na sua memória por tempos infindáveis.

Se um dia não tiver sido o suficiente para conhecer Castelo Mendo, fique numa das duas casas de campo da aldeia – a Casa da Cidadela e a Casa do Corro – e retome bem cedo o passeio nesta inesquecível Aldeia Histórica.

Pode encontrar mais informações sobre Castelo Mendo no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 13 de Dezembro de 2018