Poucas são as vilas que conseguem concentrar um tão grande número de atracções num lugar só. Terra de Pedro Álvares Cabral, de uma importante tradição judaica, de muitos museus e de um sumptuoso castelo, Belmonte enche as medidas aos que a visitam. É, de facto, um “belo monte” (há quem atribua a origem do nome a “belli monte” – monte de guerra), uma povoação classificada como Aldeia Histórica, com vistas para a Serra da Estrela e um passado ímpar.

Comecemos por aí: pela História. Como tantas vilas e aldeias das Beiras, Belmonte viu o seu crescimento desenvolver-se a partir do seu castelo, o ponto de partida deste itinerário. É de D. Afonso III a autorização para construir um castelo em Belmonte, local que já possuía um sistema defensivo no início do século XIII. Embora pertencendo à Coroa, o Castelo de Belmonte era administrado por um alcaide local e este cargo estava a cargo da família Cabral. Fernão Cabral, pai de Pedro Álvares Cabral, foi o primeiro alcaide-mor. Com ele se iniciou, no século XV, a época de maior relevo do Castelo e de Belmonte.

Visite o castelo entrando pela porta sul e, já no seu interior, circunde o anfiteatro (construído em 1992 para acolher espectáculos), suba à Torre de Menagem (que alberga várias peças arqueológicas recolhidas em escavações no castelo) e aprecie a panorâmica excepcional para a vila. Ao deixar a torre repare nas janelas panorâmicas (uma delas manuelina) à sua esquerda, vestígios da adaptação do castelo a residência feita pela família Cabral.

Pedro Álvares Cabral, bem como outros elementos da sua família, tem depositadas as suas cinzas num monumento mesmo em frente ao castelo: o Panteão dos Cabrais. Lado a lado com o Panteão está a Igreja de Santiago. No seu interior poderá ver vestígios de vários frescos e uma Pietà do século XIV que, segundo José Saramago, é a peça mais admirável desta igreja. Também junto ao castelo está outra dupla de pequenos templos: a Capela de Santo António e a Capela do Calvário. A primeira é mais antiga (século XV) e nela é possível observar um brasão com as armas das famílias Queiroz, Gouveia e Cabral. A segunda é mais recente (século XIX) e destaca-se por ter a porta principal decorada com os instrumentos da Paixão de Cristo (escadas, lança, vara do vinagre, turquês, martelo e coroa de espinhos).

Muito próximo destas capelas, na Rua da Fonte da Rosa, encontrará uma das principais razões por que Belmonte é famosa: a sua sinagoga. Denominada Sinagoga Bet Eliahu, foi inaugurada em 1996. Na sua fachada (orientada para Jerusalém) estão representações do candelabro judaico e da estrela de David. Belmonte já teria uma Sinagoga no século XIII, da qual não restam vestígios mas que é comprovada por uma pedra existente no Museu Judaico, um espaço localizado perto do Largo do Pelourinho, no núcleo medieval da vila. Nele poderá conhecer a história da comunidade judaica de Belmonte que, durante séculos, resistiu aos éditos de expulsão de Reis Católicos, ao decreto de expulsão ou conversão de D. Manuel I, ao olhar vigilante da Santa Inquisição e às penas do seu tribunal.

Depois de explorar o museu, aproveite para fazer uma pausa para almoçar e provar algumas das iguarias da vila, como o cabrito na telha, as sopas da água do feijão, as papas de carolo e os biscoitos de azeite. Tem dois restaurantes nesta zona: o Fio de Azeite (precisamente junto ao Museu Judaico) e a Casa do Castelo (próximo do castelo).

De volta ao Largo do Pelourinho, atente em dois pontos de interesse dos tempos medievais: os Antigos Paços do Concelho (procure pelo edifício com um sino), uma casa do século XV que acolhe actualmente a Rede de Judiarias de Portugal; e o Pelourinho, uma estrutura recente (de 1986, já que o primitivo pelourinho foi demolido em 1885) que integra um escudo com o brasão de Fernão Cabral. Ali perto, está a Estátua Pedro Álvares Cabral (uma das três que existem no país – as outras duas estão em Lisboa e Santarém), mostrando o explorador numa pose serena, a segurar um astrolábio, uma espada e uma cruz.

Conclua este passeio pelo centro de Belmonte descendo a Rua Pedro Álvares Cabral. Depois de passar a Câmara Municipal, achará um trio de museus imperdível. O primeiro é o Museu dos Descobrimentos. Integrado na antiga habitação dos Cabrais (designado Solar dos Cabrais) este museu transporta o visitante para a história dos descobrimentos portugueses, destacando-se a descoberta do Brasil. No lado oposto da rua está o Ecomuseu do Zêzere, um museu em que, troço a troço, acompanhamos o percurso do rio Zêzere, desde a sua nascente até à foz. E, finalmente, nas traseiras do Ecomuseu, localiza-se o Museu do Azeite, com três pisos dedicados às técnicas da produção do azeite e à importância que este teve (e tem) na economia local.

Pernoite em Belmonte optando ou por um alojamento local, como a Casa Abraão, a Casa Miriam ou a Quinta da Ribeira, ou pelo hotel de quatro estrelas da vila, o Belmonte Sinai Hotel.

Pode encontrar mais informações sobre Belmonte no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 14 de Dezembro de 2018