Na eventualidade de uma disputa pelo título da mais bonita Aldeia História, Sortelha certamente conseguiria uma menção honrosa. A vista do topo do seu castelo do século XIII é soberba, a que se juntam as velhas ruas e vielas da povoação, o seu pelourinho manuelino, as antigas igrejas e as inúmeras casas medievais, monumentos que nos fazem recuar a séculos passados, para um tempo de mercados medievais, casamentos nobres e batalhas épicas. Sortelha é tudo isto e muito mais.

Com foral concedido por D. Sancho II em 1228, Sortelha manteve a sua muralha e fisionomia urbana praticamente inalteradas desde a Idade Média, uma vez que a sua população preferiu progressivamente instalar-se fora do núcleo, numa zona mais fértil e menos acidentada, o que resultou numa das mais bem conservadas aldeias medievais portuguesas.

Comece a visita a Sortelha transpondo a Porta da Vila, a principal entrada do seu recinto amuralhado, e explore o Largo do Corro, um amplo terreiro de onde se destaca uma fonte quinhentista e um nicho barroco do século XVIII, um dos cinco Passos da Via Sacra dispersos pela aldeia.

À sua esquerda, no cimo de um monte, encontrará a antiga cidadela e a Torre de Menagem, acessíveis pela Porta do Castelo, caracterizada pelo seu arco de volta perfeita. Dentro da cidadela, procure pela Cisterna, que servia para o abastecimento de água, e suba ao topo da muralha, para desfrutar de um dos melhores miradouros de Sortelha e observar o formato oval da muralha que abraça a aldeia.

No sopé do Castelo encontrará o Largo do Pelourinho. Como na maioria das Aldeias Históricas, a praça principal possui duas estruturas que simbolizavam a importância do burgo na região: a Antiga Casa da Câmara, do século XVI e que possuía no seu piso inferior (encravado na muralha) a cadeia; e o Pelourinho manuelino, mandado construir em 1510 por D. Manuel. Junto ao pelourinho está outro dos Passos da Via Sacra, semelhante ao da Porta da Vila, e uma casa, presumivelmente do século XIII, denominada simplesmente de Casa Número 1, nome que advém da inscrição deste número numa das suas portas.

Continue para a Igreja Matriz, um templo em honra de Nossa Senhora das Neves que deverá datar do século XVI, uma vez que no seu portal consta a data de 1573. No interior existe uma imagem gótica de Nossa Senhora das Neves com o menino ao colo. A cabeça desta imagem foi decepada, segundo diz a lenda, por um soldado napoleónico que queria-se certificar se a imagem era de ouro.

Siga pela rua que sobe a partir da Igreja Matriz, a Rua da Mesquita, e repare nas várias casas antigas com placas descritivas. Vai passar por três que merecem destaque: a Residência Paroquial ou Passal, do século XVI, conhecida pelas suas cruzes (uma perolada, outra de Malta) desenhadas por cima da porta principal; a Casa do Governador, do século XV; e a Casa Árabe, do século XIV.

Do topo do arruamento conseguirá ver duas pequenas torres. A mais próxima servia para os militares terem um contacto visual com as fortificações mais próximas (Belmonte, Covilhã e Monsanto). É denominada de Torre do Facho, lembrando os sistemas de contacto de Sortelha com os castelos vizinhos: o fumo de uma fogueira de dia e uma tocha à noite. A segunda torre é chamada de Torre Sineira (ou Campanário), pois tem dois sinos. Está implantada no topo de um penedo, a que se acede por uma escadaria.

Encontra-se na zona mais alta de Sortelha, onde existe uma porta que, apesar de ser designada Porta Nova, é na verdade a mais antiga da aldeia. Transponha-a e repare nas gravações na sua lateral – são duas medidas antigas, usadas nos mercados e feiras da região: o côvado (66 cm) e a vara (110 cm).

Apesar de já se encontrar fora do recinto amuralhado, este espaço – o Largo de Santa Rita – tem um interessante conjunto de monumentos, a começar pelo caminho em si, um troço da velha Calçada Medieval, feito com blocos de granito. No final do caminho descobrirá duas ruínas: o Hospital da Misericórdia, uma construção do século XVI que terá funcionado como hospício durante a Idade Média; e a Igreja da Misericórdia ou de Santa Rita, um templo que se pensa ser do século XIV. No seu adro verá vestígios de sepulturas escavadas na rocha granítica – são as Sepulturas Antropomórficas.

O Largo de Santa Rita é o lugar perfeito para terminar este roteiro pela Aldeia Histórica de Sortelha. Daqui conseguirá ter uma perspectiva única do majestoso castelo, da imponente muralha e das montanhas envolventes. Regresse ao núcleo medieval de Sortelha e, depois de uma boa refeição num dos seus restaurantes típicos, aloje-se numa das Casas do Campanário. Outras opções de acomodação, situadas em localidades próximas de Sortelha, são a Carya Tallaya, a Casa Villar Mayor e o Cró Hotel Rural.

Pode encontrar mais informações sobre Sortelha no site, no blog ou na página de facebook das Aldeias Históricas.

 

Gabriel Soeiro Mendes, 15 de Dezembro de 2018